segunda-feira, 21 de setembro de 2009

urbana legio omnia vincit!

Ontem foi um dia de pura nostalgia para mim, com a aparição "surpresa" da Legião Urbana no Porão do Rock. Surpresa entre aspas porque todo mundo já sabia que eles apareceriam. Há semanas corriam os boatos de que o Toni Plantão cantaria no lugar do Renato Russo, mas foi melhor ainda! Pensem num show com Dado, Bonfá e vários vocalistas "amigos" da Legião se revezando...ai ai! :) Bom demais!

O show começou meio sem alarde, com umas entrevistas de Dado, Bonfá e RR sendo exibidas no telão, assim como quem não quer nada, sem ninguém anunciar nada. De repente, depois de Renato Russo mandar um "A verdadeira Legião Urbana são vocês", começa Tempo Perdido. Eu, que já fui esperando pelo show, fiquei meio sem acreditar que era de verdade. Completamente surreal ver todo mundo cantando junto, de coração, músicas que ficaram tão lá na minha (na nossa) adolescência. Inevitável ficar com um nó na garganta, choro contido...é realmente emocionante ver como as músicas da Legião ainda tocam!

Eu, baixinha, não consegui enxergar lá muito do que se passava no palco. O ápice foi quando o Igor me colocou nos ombros, bem na hora de Eu Sei e Pais e Filhos. Bom demais ver aquela multidão toda cantando junto. Nostálgico, enérgico...pulei que nem uma macaca, fiz as dancinhas punks dos tempos de carnarock com o Lan e o Reginaldo, parecíamos três adolescentes doidões.

Em um segundo, todas as lembranças chegaram: passar o recreio cantando Legião no fundo da sala de aula, rodinhas de violão, escrever "força sempre" de liquid paper na mochila, achar que o Renato Russo tinha traduzido o que minha incomunicabilidade não me deixava traduzir, camiseta da Legião, ICQ até tarde falando de música, ir até Caldas Novas para ver os Paralamas tocarem (super groupie!), deitar no pilotis do prédio onde o Renato Russo morou e sentir que estava me conectando com o cosmos, fazer o percurso das locações das músicas, pesquisar os códigos cifrados, as referências por trás das letras...tanta coisa, tantas memórias vindo ao mesmo tempo que foi impossível não ficar emocionada.

Eu andava me sentido sem energia nos últimos tempos, mas esse show me reconectou com coisas que me deixam deveras feliz. Para não esquecer. Quando a vida fizer cara feia pra você, dance um punk rock com ela, faça suas próprias colagens de memórias boas. Garanto que melhora!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

presente é quando o acaso empurra um livro vermelho da estante


Há muito tempo quero deixar aqui um elogio ao livro Mania de Explicação, da Adriana Falcão. Comprei no começo do ano, quando estava passeando pela estante de livros infantis na Livraria Cultura em busca de um presente para a minha afilhada. Comprei um livro de princesa para ela e a poesia da Adriana Falcão para mim.

Eu já gostava muito da Adriana desde que li o Luna Clara e Apolo Onze numa sentada só. O livro é uma delícia, lindo, delicado, cheio de histórias e detalhes que só ela consegue pensar. Com o Mania de Explicação não é diferente: ela vai definindo os sentimentos de maneira lúdica e poética, pela voz de uma menina que tinha mania de explicar todas as coisas - "essa menina pensa que é filósofa, as pessoas diziam".

Aí, pelos olhos da menina que buscava uma explicação para cada coisa, ela vai explicando:

- Dedicatória é quando todo o amor do mundo resolve se exibir numa só frase;
- Irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio do seu peito;
- Solidão é uma ilha com saudade de barco (essa, a minha favorita!);
- Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue;
- Pouco é menos da metade. Muito é quando os dedos da mão não são suficientes;
- Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro da sua cabeça;
- Angústia é um nó muito apertado bem no meio do seu sossego;
- Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair do seu pensamento;
- Sucesso é quando você faz o que same fazer só que todo mundo percebe;
- Antes é uma lagarta que ainda não virou borboleta
- Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
- Alegria é um bloco de carnaval que não liga se não é fevereiro (também adoro!)

- Amor é...bom, aí vocês vão ter que ler o livro para ver o que a menina que gostava de ficar pensando pensamentos concluiu sobre o amor!

Leitura-nuvem, cócegas, um carinho. Ler a Adriana Falcão é sempre uma delícia! Ah, sem falar nos episódios que ela escreve para a Grande Família. Morro de rir com a Nenê, alter-ego assumido da Adriana, super mãezona, cheia de perfeccionismos, ansiedades, coração. Um dia quero ser que nem a Adriana Falcão: espalhar palavras por aí, seja no teatro, tv, cinema ou estantes de livros infantis...

Ah, sim: esqueci de dizer que as ilustrações do livro, da Mariana Massarani, também são lindas!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

nada serve de chão


Em tempos de desconfiguração, essa música vem bem a calhar. Daniela, do Pedro Guerra. Conheci na época em que assisti ao Caótica Ana, do Julio Medem. Já postei aqui uma versão de Tiempo y Silencio, que ele canta com a Cesaria Evora e entrou na trilha sonora do filme. Daniela não está no filme, mas bem que poderia estar: Ana também estava llena de puertas, exercitando a coragem de abrir cada uma delas e se lançar na jornada rumo a si mesma. Sua caverna na Espanha ensolarada tinha portas desenhadas nas paredes. Nada mais representativo de sua alma. E da minha:

Daniela

Daniela por dentro está llena de puertas
Unas cerradas, otras abiertas
Daniela por dentro está llena de puertas
A veces sales, a veces entras

Daniela es del viento y a veces se entrega
Y pierde cosas pero otras quedan

Daniela es un árbol un libro una abeja
Volando entre tantas en una colmena

A veces es difícil ser
Y lo que hay
No siempre es lo que es
Y lo que es
No es siempre lo que ves

Daniela respira y a veces se cuelga
A veces no sabes si es ella o no es ella
Daniela no entiende de todo y espera
Que alguien le calme sus noches en vela

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

versões, versões, versões

Dando uma passadinha do MySpace do Jorge Drexler, descobri uma versão dele pra You really got a hold on me, que eu só conhecia com os Beatles. Daí procurando o vídeo no youtube descobri uma versão lindinha também da dupla She & Him. Ela é Zooey Deschanel, ele é M. Ward. Bom, e achei a versão dos Beatles no desenho animado deles, pra ficar mais legal ainda!
Ouçam as três e depois digam aqui de qual gostam mais. Fiquem à vontade para sugerir outros nomes, já que essa música ganhou muitas versões. Ah, sim: como a dos Beatles é um trechinho do desenho, se quiserem só ouvir a música adiantem o vídeo lá para os 2 minutos (tem 10).
A versão do Drexler não tem vídeo, mas tá aqui: http://www.myspace.com/jorgedrexler

high and dry

Por falar em versões, essa é outra que eu amo e que é perfeita pra manhã cinza de hoje em Brasília, com esse friozinho. Delícia! Jorge Drexler gravou High and Dry, do Radiohead, no disco 12 segundos de oscuridad, o segundo que ficou conhecido por aqui. Gosto muito da versão dele, só voz e violão, e a doçura que ele dá a uma letra tão forte.

Drexler é, para mim, o melhor cantautor que temos hoje, o que mais me toca. Adoro sua poesia leve e profunda, cheia de imagens, e a suavidade com que ele canta. Força branda, gosto disso.

O vídeo que peguei do youtube não é dos melhores, deve ter sido gravado com um celular e a pessoa fica viajando num zoomzinho chato, mas abstraiam, por favor :)


sábado, 22 de agosto de 2009

jokerman dance to the nightingale tune

Porque eu amo essa versão do Caetano pra Jokerman, do Dylan. Sábado de chuva, deu saudade dessas imagens...birds flying high by the light of the moon.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

IX Prêmio de Arte Contemporânea


Ontem fui à vernissage da edição desse ano do salão de arte do Iate Clube de Brasília. Pelo que sei, é o único da cidade a abrir espaço para várias linguagens e a oferecer boas premiações aos artistas. Sempre acho uma visita interessante, apesar das tosquices na montagem de alguns trabalhos - já vi marmotarem o trabalho do Allan (de quem eu sempre falo aqui) e, dessa vez, do João Angelini, outro de quem sou fã. Já começou por terem grafado um "João Angelim" na identificação do trabalho, um pequeno indício de como a coisa é levada. Tosco, mas tudo bem (não reparem a fúria, é que uma Danyella com "y" e dois "élles" se chateia mesmo com essas faltas de cuidado).

Bom, dessa vez minha alegria foi um tanto especial: quem levou o primeiro prêmio foi o Rodrigo Paglieri, que fez a direção de arte do meu filme junto com o Allan. Merecidíssimo pela delicadeza do objeto que ele apresentou, um livro que respira chamado muito oportunamente de "livro corpo". É orgânica a respiração do livrinho amarelado, com marcas de tempo, sem capa. Ele respira como uma criança que ainda não desaprendeu o caminho, solto e livre, embora tenha lá suas muitas décadas estampadas na pele. Achei lindo mesmo: engenhoso, lúdico e delicado.

O segundo prêmio ficou com o Gaspare di Caro, que também participou da arte do filme como artista convidado, projetando os poemas do Nicolas Behr na aquitetura do Museu da República. Gaspare parece ter mesmo uma queda por números, distâncias e outras associações físico-matemáticas. Lembro de quando ele argumentava que as projeções deviam ser feitas do lugar X e não Y, por conta da distância e do ângulo e etc etc etc. Para o salão do Iate, ele apresentou uma versão da lata de sopa Campbell (trazida às nossa referências provavelmente por Andy Warhol) com as coordenadas geográficas de onde ela está. Mas onde ela está? De onde são as coordenadas?

Gaspare também fez uma intervenção "matemática" na foto "Salto no Vazio", de Yves Klein. Ele imprime de azul (coincidência?) as distâncias do Klein que se lança de braços abertos no ar até o chão e até o ciclista que passa na calçada em frente. Também vemos a altura de Klein em relação às outras distâncias e descobrimos uma inusitada relação com o dia de seu aniversário. Enfim, Gaspare é um apaixonado por números, isso fica claro em sua arte.

Além dos dois "braxilienses" e do João, dois outros amigos tiveram trabalhos selecionados: Luciana Paiva e Matias Monteiro. Passeiem pela montanha e vejam lá o que podem encontrar :)

Então, agora que eu já fiz propaganda e tietei, anotem aí:

O Iate fica no Setor de Clubes Norte, trecho 2, conj. 4
A visitação vai até 2 de setembro. Segunda a sexta das 9 às 18h. Aos sábados, domingos e feriados fecha mais cedo, às 17h.


Visitem!

O homem, as viagens

Um pouquinho de Drummond, que tão bem falou sobra as jornadas para o eu e o outro:

(...)

Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima e dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:

Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias
inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

o amor é importante, porra!

Uma semana de férias e eu caí novamente para São Paulo. Não tem jeito: a cidade é gigante, caótica, rola uma overdose de informações e de sentidos, mas eu adoro isso aqui. Estou descansando, ao meu modo, enquanto caminho pelas ruas e exercito a capacidade de flanar e me perder. Também descanso vendo mil exposições interessantes, como a da Sophie Calle e do Jean Dubuffet. O ano da França no Brasil está rendendo muita coisa bacana por aqui.

Essa cidade me aguça os sentidos. Só andar por essa região da Paulista rendeu ótimas descobertas: uma padaria lindinha chamada Benjamin Abrahão, onde tomei café da manhã algumas vezes; uma kebaberia deliciosa, Kebabel, bem aqui na Augusta, que vai render um post específico de tanto que eu fui lá (viciei, minha gente, mas a comida é boa demais!!); uma casa de jazz numa vielazinha escondida, chamada Syndikat, onde os músicos incluem jazz cigano no repertório; um café com o melhor cappuccino que tomei aqui, chamado Santo Grão, nota 10 pra latte art deles. Inspiração total, sinestesia, enfim. Estou encantada, como sempre, e não me canso de descobrir novas coisas.

Agora vamos ver uma exposição do Serge Gainsbourg, que eu descobri que foi um multiartista: conhecia o lado músico, mas o homem foi tudo!! Acho que hoje rola uma festa no Sesc também, com músicos influenciados por ele...ai ai ai.

Sinto falta de uma janela com a vista que tenho aqui, onde eu pudesse sentar num meio de tarde desses e escrever vendo a cidade me ver. Até desse céu cinza eu estou gostando. Ô vida besta! Fulô acabou de chegar mostrando as compras pro Fellini Caffè. Estamos todos inspirados, é isso. Cada um na sua jornada pessoal. Igor pesquisa cursos de teatro, vamos agora ver como funciona o ingresso no CPT do Antunes Filho. Eu penso, caminho, olho, escrevo algumas coisas num caderninho e leio poesia. O artigo que eu deveria começar aqui vai ficando pra depois, enquanto eu me remonto a cada quarteirão. Porque o imaginário pulsa nas ruas, nas pichações filosófico-existenciais (o que dizer de "o amor é importante, porra!" no meio da Augusta ou de "viver dói" grafado no muro do cemitério?), no tanto de humano, demasiadamente humano, que vejo por aqui.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

llena de puertas

Há mais ou menos um ano eu fui ao cinema ver Caotica Ana, do Julio Medem. Esse dia me marcou muito, porque eu havia acabado de entrar em contato com uma informação que mudou toda a minha vida - sem na prática mexer em nada. Foi nesse espírito que fui ao cinema: perturbada, confusa, fragilizada, com todas as janelas da minha alma abertas, quase uma revisita.

Não sei dizer como saí do filme. Sei que, até hoje, ele ecoa forte em mim. Ouvi muita gente dizer que achou uma porcaria, que se decepcionou com o Julio Medem (provavelmente quem foi esperando algo na linha de Lucia e o Sexo ou Os Amantes do Círculo Polar, obras-primas, sem dúvidas). Eu não me decepcionei nem um pouco. Achei o filme de um simbolismo muito bonito e pude ver no caos da personagem principal um pouco do caos de todos nós, com todos as nossas memórias, ancestralidades gravadas em cada traço. Ouvi muitos reclamarem, também, que era um "momento espírita" do diretor, já que o filme mostra a personagem principal mergulhando em vidas passadas - sempre parte de trágicas histórias de mulheres, há 20 ou 100 anos. A dor era a mesma, mudados os rostos e cenários que fossem.

Não acho que seja simplesmente um filme "espírita", pejorativamente falando, como ouvi e li tantas vezes. Minha leitura definitivamente não foi por aí. O fato de Ana ser todas aquelas mulheres não significa necessariamente que tenha vivido como cada uma em vidas passadas. Significa justamente isso: Ana é todas aquelas mulheres. Assim como eu sou, você é, basta abrir as janelas pintadas na parede da caverna. É uma leitura mais junguiana mesmo, pra ficar só aí. Estamos conectados, e por isso o passado não morre, não se acaba: somos o que vemos agora, mas também somos tudo o que foi, reelaborado, reordenado até a nossa totalidade. Quando entramos em contato com cada uma dessas partes, aceitamos o caos. Até reordenar novamente e sermos de novo inteiros.

Estou melancólica, é isso. E mais canceriana do que nunca. Deve ser o inferno astral. Pois que ando recolhida, sonhando com fênix douradas e rememorando aquela que fui em cada fase que passou. Não sem tristeza, não sem saudade, mas mantendo em mente que é preciso deixar morrer para ser novo. Ando duelando com a morte e ofertando flores a ela. Talvez por isso tenha voltado ao filme...termino o post com uma música belíssima cantada pela Cesaria Evora e pelo Pedro Guerra, que me arrebatou enquanto corriam os créditos. Tiempo y silencio.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

entrevista com o lan

O meu melhor amigo, Allan de Lana, é o entrevistado do mês da revista de arte "dando nome aos bois", projeto dos também artistas plásticos Matias Monteiro e Luciana Paiva. Na entrevista, ele fala do trabalho como diretor de arte no meu primeiro curta, Braxília, que ganhou até blog.

Vale a pena ler, não só pela referência ao processo de realização do filme, mas pelo mundo do Lan. Que é lindo e eu amo.

18 dias no Japão

Foram 18 dias de sonho e muitas caminhadas pelo Japão. Começamos por Tokyo, onde ficamos por 4 dias. A ideia era entrarmos em contato com c...