sábado, 25 de junho de 2011

Cavalleria Rusticana I

Ontem fui assistir à ópera Cavalleria Rusticana, no Festival de Ópera de Brasília. Além de ver um espetáculo desse tipo pela primeira vez, o que já era por si só emocionante pra mim, ainda tive a chance de ver um amigo querido no palco, como parte do coro.

A ópera foi linda em todos os sentidos: cenário, música, história, envolvimento dos cantores-atores...linda mesmo. E o Aristótenis me emocionou muito. Muito bonito ver a dedicação dele à música. Para contextualizar: ele é médico, gastro e cirurgião especializado em redução de estômago. Tem verdadeira paixão pela medicina. É capaz de discorrer por longos minutos sobre a beleza da medicina, numa mesa de café. Acho curiosa a poética que vem daí: Aristótenis soma a essa paixão o gosto pela música. É um ótimo violinista e também estuda canto lírico. Um tenor que maneja um bisturi com a mesma poética de um arco de violino, embora os movimentos peçam forças e estados de espírito diferentes. Há algo que conecta essas atividades, para ele. E só ele sabe o caminho. Que é bonito de se ver, ah, isso é! Inspirador! Ah, esqueci de falar que ele é casado com minha amiga do coração, a Moema. Isso também faz dele mais bonito :) Sabe aquela canção que diz "seu olhar melhora o meu"? Então. Embora eles sejam aparentemente bastante diferentes, a arte os conecta e é a forma deles aprofundarem o contato com a saúde/vida (ela é psicóloga, artista plástica e amante dos cafés e aromas e memórias).

Bom, essa aqui foi minha declaração de afeto a eles. 

E o registro de uma noite especialmente bonita, mesmo. Deveria haver mais óperas em Brasília. Não só dentro de um festival que acontece com sei lá qual frequencia. Onde esses cantores maravilhosos todos e esses instrumentistas ficam o ano todo? Que palco os acolhe? Fiquei me perguntando isso a noite toda. O Teatro Nacional ficou lotado durante o festival e soube que os ingressos para os dois dias da Cavalleria chegaram a se esgotar em dez minutos. Então, há publico ou não há? Acho que o que falta é boa vontade política mesmo, investimento...aí voltamos para a grande discussão da falta de um olhar mais generoso para a cultura, de forma geral. Há vários setores que carecem de espaço - o cinema é um deles, e eu bem sei. Então vamos aos poucos fazendo a nossa parte, rompendo espaços aqui e ali, espalhando a arte de qualquer maneira, enquanto quixoteamos por dias melhores.




sexta-feira, 13 de maio de 2011

Braxília no Cine PE


Fiquei de escrever com mais regularidade durante o Cine PE, mas a correria do festival não deixou. Uma pena, porque muitos filmes que eu vi ali mereciam espaço no blog. Muita coisa bacana mesmo, especialmente na seleção dos curtas (que, na minha opinião, deu um banho na dos longas).

Acontece que veio a premiação e o Braxília levou três prêmios: melhor trilha sonora para o Dado Villa-Lobos, melhor montagem para o Marcius Barbieri e melhor curta 35mm pelo juri popular. Aí eu não consegui mais pensar em outra coisa, estou com esse post na garganta desde que cheguei, esperando para compartilhar aqui. É felicidade demais, minha gente! Levar juri popular numa terra bairrista feito Recife me fez repensar muitas coisas. E os prêmios técnicos para o Dado e Marcius foram incríveis, merecidíssimos - pelo talento, dedicação e generosidade que eles trouxeram para o projeto desta iniciante aqui...só tenho a agradecer e a comemorar. Gracias a la vida, que me ha dado tanto!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Impressões sobre o CinePE #1

Neste exato momento, aproveito a solidão do quarto de hotel em Recife para ordenar algumas impressões sobre o CinePE, festival de que venho participando desde domingo. Preciso dizer que estou impressionada com a grandiosidade disto aqui. Mostrar seu filme para uma platéia de 3 mil pessoas é de uma emoção sem tamanho. O público realmente participa, você percebe que as pessoas que moram na cidade se mobilizam para ir ver o festival, e isso é muito bacana mesmo.

O Braxília passou na noite de domingo, numa sessão linda. Sempre me bate um receio de o filme não funcionar fora de Brasília, não tem jeito. Aí me lembro de Niki citando Tostoi, cante a tua aldeia e serás universal, e meu nervosismo de certa forma se dissipa. O poder da poesia é uma coisa impressionante, capaz de fazer que uma guria de 20 e poucos anos em 2004 visse seu conflito com a cidade ganhar expressão nos versos de um poeta que começou a escrever nos anos 70; capaz de fazer que pessoas em Recife, por exemplo, se emocionem com o olhar desse mesmo poeta diante de um cenário estranho, alheio até. Acho que todas essas pontas não se conectariam se não fosse a poesia. Estou em estado de graça, assim como fiquei quando o filme foi exibido no Festival de Brasília, na Mostra Tiradentes e no É Tudo Verdade. Cada festival fica sendo um infinito. Encontros.

Guardei muitas impressões também sobre os outros filmes que tive a oportunidade de ver aqui. Faço milhares de anotações sobre as sessões, mas fico sempre confusa sobre como organizar todo o meu turbilhão de comentários, imagens, sensações. Na verdade, acaba que a gente acaba sendo meio atropelado pela correria dos festivais e não consegue parar muito para escrever, rs. Precisa rolar uma disciplina, mas vou tentando, ao longo dos dias.

Agora mesmo eu ia começar falando dos filmes do primeiro dia, mas vou falar dos de hoje, que estão mais frescos. O curta que mais me tocou hoje foi Traz outro amigo também,  do gaúcho Frederico Cabral. Achei sensível, lúdico, divertido, bem realizado...e tocou num tema tão bonito! Não me lembro dos meus amigos imaginários da infância, uma pena. Mas me lembro que minha prima era amiga da Dona Ventania.  Voltando ao filme: contratar detetives particulares para irem atrás dos nossos amigos imaginários desaparecidos é uma bela metáfora para a reconexão com o lúdico e, por que não, com a poesia. Um reencontro sobretudo com a imaginação, para que ela nunca deixe de nos acompanhar. Graças a Deus aprendi com minha mãe a não me perder da minha criança. Deve ser por isso que fazemos tanto sucesso com a meninada da rua. Eu posso ver os amigos imaginários deles, apesar de não me lembrar do meu, e assim vou colecionando novos e fieis companheiros.

Gostei também do Ovos de dinossauro na sala de estar, do Rafael Urban, que tive a oportunidade de conhecer em Tiradentes, quando ele apresentou o curta Bolpebra. Rafael encontrou uma personagem incrível, tão bela e esfíngica que me remeteu à Clarice Lispector. Aliás, não seria a cara de Clarice uma mulher diante de ovos de dinossauros na sala de estar – ela, a mobília austera e os ovos fossilizados? Pois eu fiquei achando que estava na verdade dentro de um conto dela, com vestígios de uma história de amor se misturando a vestígios de tempo.

Eu, para crítica, acho  que não presto. Por isso falo em impressões. Não vou ter o compromisso aqui de contar as histórias do filme, então as coisas que digo podem soar meio soltas, ok? Amanhã continuo! 

sábado, 23 de abril de 2011

a felicidade é o equilíbrio no fio da navalha

Estou lendo agora um livro só de entrevistas com o Vinicius de Moraes, incluindo uma entrevista feita pela Clarice Lispector nos anos 60. Quem me emprestou foi meu amigo Diego Nunes, que sabe da minha paixão pelo poetinha :)

Pois eu leio e fico cada vez mais encantada, e com vontade de compartilhar aqui alguns momentos e ideias dele. Não reparem, enquanto eu estiver lendo este livro haverá aqui uma espécie de "seção Vinicius". Saravá! Para inaugurar:

"Eu acho que, para mim, a felicidade é o equilíbrio no fio da navalha. O ser humano que não se corta não pode ser feliz. É o tal negócio da ratoeira. O queijo está lá, o queijo é a vida, quer dizer, se você não morde o queijo você não vive. Mas, se você morde, a ratoeira te cai em cima. Quer dizer, a gente tem que deixar os pedaços por aí, não é? Mas tem que comer o queijo, isso é fundamental".

Entrevista ao Pasquim, em agosto de 1969.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Do coração aberto pra 2011

O registro é um pouco fora de hora, atrasado, mas é que só agora parei para revisitar meu blog. O fato é que começo 2011 muito feliz e em paz, bem diferente do que foi o ano passado - como podemos ver pelos textos aí embaixo. É que ciclos importantes foram fechados. Defendi minha dissertação de mestrado, fui aprovada, deixei de ler praticamente só livros teóricos e me joguei na literatura "puro deleite", ouvi mais música...e, finalmente, concluí o ciclo "Braxília". Esse talvez tenha sido o acontecimento mais importante de 2010, e certamente um divisor de águas na minha vida.

Braxília foi para mim a materialização da tal coragem de pertencer ao desconhecido, de que eu tanto falei na minha dissertação. Terminei o filme depois de anos de uma jornada muito intensa, de incertezas, de dúvidas, de inquietações, angústias, conflitos, medos. Mas o resultado valeu. O filme foi exibido no dia 26 de novembro, no 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. E só quem cresceu aqui sabe o que significa, afetivamente, estrear um filme no espaço sagrado de memórias do Cine Brasília. Além disso, que já é por si só um presente, a exibição foi linda e única e catártica: vários braxilienses se reconhecendo na poesia do Nicolas Behr. Palmas durante o filme, risos, todo mundo cantando junto Travessia do Eixão enquanto corriam os créditos...coisas que eu nunca vou esquecer!! Só essa sessão incrível já me foi mais que mil prêmios, mas os deuses acharam por bem me dar mais: Braxília levou três Candangos - melhor roteiro, melhor curta pelo juri popular e o prêmio especial do juri.

E foi assim, com o coração na boca, que 2010 caminhou para o fim e eu entrei em 2011. Para completar, saí de férias com o Igor e fomos para o Uruguai (com alguns dias na Argentina). E a viagem teve a combinação carro na estrada+mar, que é para mim uma polaroid da felicidade, coisas que me dão uma sensação incrível de liberdade, força e plenitude. Então comecei o ano renovada, fortalecida e com uma respiração diferente, cuja música ainda não decifrei. Pode ser um compasso de quietude, pode ser uma pausa para novos vôos, um interlúdio, ainda não sei. Sei que estou feliz nesse "durante". E isso me é tudo, agora :)

O mundo anda tão complicado...

Cada vez entendo menos tudo, e quero a leveza em vez da velocidade. Parece que sou atropelada por tudo o que acontece e que supostamente é importante e merece atenção, e amanhã já é outro dia.Ando questionando tudo, pareço uma edição ambulante da Vida Simples. Não é assustador pensar que acumulamos tanta coisa, muito mais do que precisamos?


Vejam o meu caso: 26 anos e tantos objetos que enchem uma quitinete inteira. Sem falar na memória, que me transborda. Lembrar é minha meditação. Minha conjugação: eu lembro. Imaginar a vida sem tudo o que construí e impregnei de significado leva a um vazio assustador. Mas precisei aprender a deixar coisas pelo caminho. A não ter medo desse vazio. Continuamos sendo tudo o que somos por meio das experiências associadas às coisas, mesmo que as coisas desapareçam. Não é isso? O que é essencial permanece, e como é um alívio entender isso, do fundo da alma!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Desoperadoras de Telefonia #2

No faxinão de fim de ano, olhem só o que encontrei numa cadernetinha...as memórias de uma vez que passei duas horas no telefone com a TIM e não consegui resolver meu problema. Isso soa familiar a alguém? Ai ai!


15 de junho – Recebo uma carta avisando que meu telefone será cortado, dois dias depois dele já ter sido! Ligo para a TIM. Começo às 21h.

Protocolo # 6 – caiu a ligação

Protocolo # 7 – caiu a ligação, depois de 10 minutos esperando;

Protocolo # 8 – Consultora: “boa noite, com quem eu falo?”; Eu: “Danyella”; Consultora: “senhora, boa noite, com quem eu falo?”; Grito: “Danyééélllaaaaaaaaa!”; Consultora: “por falta de comunicação, a ligação será encerrada”.


Vontade de morrer. Troco de telefone e tento mais um pouco.


Protocolo #9 - A consultora Kathlen me pergunta o que está acontecendo, sendo que já expliquei diversas vezes. Respiro fundo e conto. Ela consulta, verifica, digita, me pede pra aguardar.

Enquanto isso, inspirada por sua voz firme e simpática, me pergunto: “Como será a Kathlen? Que rosto terá? Será negra, branca, alta, baixa? Loira, tingida? Gosta de fazer o que nas horas livres? Tem namorado? Namorada?”. Sei que sua voz me causou ternura. Fiquei terna. Kathlen volta quase meia hora depois e constata que realmente há um erro. Diz que vai me encaminhar para o setor responsável. Eu imploro para ela não fazer isso, explico que dá última vez a ligação caiu. Ela me diz, aumentando minha ternura por ela: “Senhora, eu vou fazer o possível para a ligação não cair. Se não der, vou tentar te ajudar, tá?”.


Diante de uma resposta tão humana, eu disse: “tá”.


22h10 – Kathlen me transfere para a Cristiane. Explico que meu celular está cortado, que dizem que eu não paguei a conta, mas que me foi dito pela TIM que eu não precisaria pagar. Digo que quero entender que cobrança é essa. Ela me diz que pode ser um saldo devedor da Brasil Telecom, minha antiga operadora. Eu digo que não pode ser. Ela pede um momento pra verificar (o que diabos eles tanto verificam? Os outros já não tinham verificado??)


Percebo que estou sem ar, completamente tensa. Como se, a qualquer movimento meu, corresse o risco da linha cair. Então fico dura, imóvel, mal respirando.


22h14 – Cristiane me pede mais um momento;

22h19 – Cristiane diz: “nesse momento estou contestando a fatura para retirar o valor para a senhora”.

22h24 – Cristiane pede mais um momento;

22h25 – Mais um momento;

22h26 - Cristiane volta e pergunta: “A senhora já efetuou o pagamento da conta?”. Respondo: “Não!!!!!!!! Até porque me foi dito que eu não precisaria pagar!! É isso que estou tentando explicando há dias para vocês!”

22h27 – Cristiane diz: “entendi...”

22h29 – Cristiane pede mais um momento.


Sozinha no quarto há um bom tempo, já com as pernas dormentes, começo a anotar tudo na cadernetinha. Alguém me traz um uisquinho, por favor? Começo a me alongar enquanto equilibro o telefone no ouvido com o ombro.


22h30 – Já alongada, pego um livro de reflexologia podal e tento alguns exercícios;

22h36 - Meu estômago começa a roncar. Toco bateria imaginária com o lápis e a caneta.

22h37 - Seguindo as orientações do livro, observo de que lado meu chinelo é mais gasto. Vejo que é o lado de fora, principalmente no pé direito;

22h38 – Cristiane volta e me pede só mais um momento. “Já estou finalizando, tá bom?”. Escrevo, evocando Lady Kate: “bom, bom não tá, mas tá bom...”

22:39 – O quarto vazio começa a me dar pânico. Só eu e o telefone. Já não penso em mais nada. Me dá câimbra, tudo me entendia.

22h40 – Acho uma fita K7 onde se lê “Timbalada Dany 93” em canetinha prateada. Escrevo novamente e comparo minha letra. Abandonei os traços arredondados, mas persiste uma certa fúria.

22h46 – Algo cai no apartamento de cima e faz barulho. Não é estranho pensar que o teto é também o chão? Tenho um momento existencial.

22h49 – Escrevo como seria meu nome sem Y, sem LL, texto as variações (uma hora, quatorze minutos e dezessete segundos no telefone);

22h50 - Minha coluna dói. Deve ser porque já faz mais de uma hora que fiz alongamento. Tento de novo me estivar, mas o pé fica dormente.

22h52 – Me dou conta de que o último contato foi às 22h38, há exatos 14 minutos. Algo está errado. Minhas mãos e pés ficam gelados, minha boca fica dormente. Cristiane, cadê você? Preciso ouvir sua voz!!

22h55 – Como seria se eu deixasse tudo isso escrito e pulasse pela janela? Pareceria uma piada? É, não era pra ser.

22h57 – Com os olhos marejados, desisto de tentar manter o autocontrole e surto: “Tem alguém me ouvindo? Cristiane? Alô? Pelo amor de Deus, alguém fala comigo? Tomara que tudo isso esteja sendo gravado, isso é criminoso, eu estou há duas horas no telefone, estou passando mal, por favor, alguém responde!!”


Silêncio. Me humilhei e implorei por uma resposta, nem que fosse um “só mais um momento”, mas a resposta não veio.


23h – A consultora morreu? Eu morri? Gritar não vale, morrer não adianta;

23h07 – A ligação cai.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Reflexões acerca da vida na era dos ansiolíticos

Na instabilidade de dias não medicados é que entro em contato com as águas profundas, um mergulho infinito sem ar sem morte sem chão. Vir a ser água, é isso e sempre foi. No sem fundo é que as idéias dançam, as cores se misturam, formam-se aquarelas de luzes inimagináveis para quem observa as águas da superfície. A estabilidade não me deixa des-esperar, mas aquieta as palavrasafetosconfusões numa pose, é isso? As palavras ficam tão em paz que não têm vontade de tirar umas as outras para dançar. E eu fico achando que estou em paz, mas estou meio morta. Havia uma pergunta, mas eu transformei em conclusão.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

segue o teu destino

Feriado escrevendo dissertação dá nisso...a pessoa (sem trocadilhos) fica pensativa, filosofando, sobrevoando poemas para não perder o contato com o essencial. Aí me lembrei desse poema belíssimo do Fernando Pessoa enquanto Ricardo Reis. Quem me apresentou foi a querida Cristina Carvalhedo, enfatizando com aquela serenidade que só ela: o resto é a sombra de árvores alheias...



Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós p
róprios

Suave é viver só
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

quarta-feira, 31 de março de 2010

lições de anatomia

Descobrindo, na prática, que raiva dói bem no estômago. Dá para saber direitinho: é como um soco, um vulcão, um incêndio a querer ultrapassar paredes.

Essa outra dor, não. Dói bem no coração, no tal lado esquerdo do peito, e é um nó. Um sufocamento, uma asfixia.

Tudo são infinitos contidos, de qualquer forma. Contenção. Com tensão.

milágrimas

mas se apesar de banal
chorar for inevitável
sinta o gosto do sal
gota a gota, uma a uma
duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
a cada milágrimas sai um milagre.


milágrimas, de itamar assumpção e alice ruiz

18 dias no Japão

Foram 18 dias de sonho e muitas caminhadas pelo Japão. Começamos por Tokyo, onde ficamos por 4 dias. A ideia era entrarmos em contato com c...