segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
valsa verde # 2
valsa verde # 1
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
2012 e o fim do (meu) velho mundo
Hoje, ao acordar, senti uma leveza que há muito tempo não sentia. Como se o mundo todo estivesse em suspenso para que eu apenas respirasse, sem nenhum objetivo. Apenas abrir os olhos e respirar. Meu pescoço, que sempre ficou contraído e preparado para alguma guerra imaginária, finalmente relaxou. Meu maxilar também. Fechei os olhos e foi como se, pela primeira vez, eu entendesse o sentido de meditar. Meu corpo leve, nenhuma sombra sobre os olhos, nenhum peso. Eu estava acordada, mas parecia ainda dormir, ou acordar para outro estado.
Levantei, passei mentalmente os compromissos do dia, mas nada me fazia ter pressa. Nada me tirava o chão. No caminho para o trabalho, dirigindo meu carro, olhei o mundo e foi como se em um segundo eu compreendesse toda a filosofia do universo. Eu simplesmente sabia. Tudo estava dado, ali, diante dos meus olhos. A sensação era de ter uma cortina nos olhos, uma névoa que me colocava em outro estado de percepção. O mundo estava ali, as árvores, o chão, tudo, desde sempre, e sempre diferente.
Tem coisas que a gente tenta entender com o racional e passa anos achando que compreendeu. Aí, em um segundo de entendimento com o coração, a gente compreende. E vê que antes não sabia nada. Nessa manhã, entre acordar e dirigir até o trabalho, entendi o que era a impermanência de que o budismo tanto fala. E senti o que era a entrega, um estar no mundo sem esperar nada em troca, a não ser o mundo e as possibilidades infinitas que eles nos dá. Um caderno em branco, nós e o universo. Então só continuei em silêncio e agradeci por esse momento, com a consciência de que ele passaria tão rápido e intensamente quanto veio.
Mas não. A sensação persistiu. E eu achando que havia algo errado comigo, essa letargia não podia ser normal. Cadê a Dany que estava sempre pronta, na defensiva, sempre antecipando coisas, preocupada, no controle? Essa Dany que conheci essa manhã não controlava absolutamente nada. Tomei um café pra ver se voltava ao “normal”, mas fiquei pensando que talvez meu normal esteja finalmente mudando, e a vida me apresente uma outra possibilidade.
Quem sabe seja finda essa memória corporal de maxilar travado, dores de cabeça, pescoço travado, o corpo como um soldado pronto para a batalha, pés firmes no chão, nenhum vento me move? Quem sabe esses não sejam tempos de entrega, de tirar os pés do chão como quem aceita uma dança?
2012, eu aceito. Bailemos de mãos dadas. Porque não é o mundo que vai acabar. É esse meu mundo, que acreditei o único, mas que precisa ir. Ele foi importante, 2012. Então nos despeçamos dele com respeito e reverência, deixemos que ele passe pelo salão. Agora somos nós dois, no centro da pista, a nos reinventar.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
das idades
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Onde eu nasci passa um rio e uma caravana de ciganos...
Os ciganos fazem parte do meu imaginário desde sempre – tenho recordações deles passando na minha rua, no Guará; do parque de diversões montado por eles em Posse (GO); da mistura de fascínio e medo diante das histórias de que eles “roubavam menino”. Acho que, de certa forma, eles fazem parte do meu olhar. Tanto que eu me descrevo no Facebook como “zingarina” – a incrível personagem da Asia Argento em Transylvania, cujo nome quer dizer “ciganinha”.
Hoje, conversando com a minha mãe, tive um entendimento muito forte sobre a origem desse universo. Ela me disse que tinha verdadeira fascinação pelos ciganos quando era criança, em Canápolis, na Bahia. Disse que queria ser cigana e que dizia para todo mundo que era filha de ciganos que tinha sido “dada” pra família dela.
Fiquei arrepiada quando ela me contou essa história, porque era uma fascinação que nós nunca compartilhamos conscientemente – nunca se falou sobre isso em minha casa. Fico sempre impressionada com o poder do não-dito, daquelas referências transpessoais que nós captamos via alma, via gestos e memórias. Minha mãe me disse que gostava de brincar perto do acampamento dos ciganos e ficava olhando como eles eram bonitos e como gostavam de dançar!
Fiquei pensando em todas essas relações transmitidas em silêncio. Minha mãe se criou no sertão da Bahia, próxima ao Rio São Francisco. Eu sou apaixonada por rios. Meu tio Manoel, quando fez sua passagem, teve no retrato distribuído à família sua imagem contemplando o Velho Chico. Atrás, a letra de Caetano: “Onde eu nasci passa um rio”. Foi a forma como os filhos, esposa e netos encontraram para eternizá-lo, a síntese de todo seu afeto e infinitude.
Pensando em Tio Manoel, na conversa com minha mãe e na minha conexão com o cosmos ao passear pelas águas da Amazônia nesse fim de semana, entendi aí do que somos feitos, o que une nossa família: a liberdade e a leveza das águas.
O rio e o mundo dos ciganos são do tamanho do nosso coração.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
sonho branco
Brasília fria
don de fluir
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Celebração da língua portuguesa em João Pessoa
Para uma apaixonada pela palavra, pela música do português como eu, estar aqui é um deleite. Ainda mais especial é estar aqui com um filme sobre um poeta.
Acabo de sair da exibição do Braxília, que infelizmente estava vazia. O horário também não favoreceu...o filme foi colocado numa sessão às 16h. Além disso, a projeção foi em dvd, o que perde muito em detalhes e texturas. Mas enfim. Valeu. Gostei um bocado do documentário "Número Zero", de Claudia Nunes, em que ela filmou meninos de rua em Goiânia há cerca de 20 anos e trouxe esse registro. Senti falta de saber como essas crianças estão hoje em dia. Mas isso não é o foco do filme. Penso que a diretora quis mostrar mais o processo delas diante da câmera, que é um elemento estranho na rotina delas. Tenho mais a falar do filme, e de A Dama do Peixoto, o outro doc. da sessão. Mas agora vou correr pra ver Transeunte, do Eryk Rocha. Por um desses acasos fortuitos, me sentei ao lado dele no avião e também do ator do filme, Fernando Bezerra. Ambos queridos e muito gente fina. Vou lá ver o filme pra poder comentar aqui. Hasta!
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
o teatro como salto no abismo
Há exatamente um mês, comecei uma nova graduação, agora em Artes Cênicas. As aulas têm sido incríveis, mas estão mobilizando tantos conteúdos em mim que achei pertinente escrever na esperança de que isso ajude a colocar as coisas em perspectiva. Quero mais compartilhar percepções, aqui, do que propriamente teorizar sobre teatro. Mas acaba que as duas coisas se cruzam.
Para uma pessoa cerebral e controladora como eu, as aulas de Cênicas têm sido um verdadeiro salto no abismo. Desconstrução total de mim, casa de espelhos de todas as minhas fraquezas e limitações, a própria coragem de pertencer ao desconhecido sentida no corpo, e não no papel. Entrar numa empreitada como essa é sem dúvidas um ato de coragem. O que me faz perceber que todo ator de verdade é um ser corajoso. Não é possível atuar sem se lançar a um processo indefinido, que vai ganhando contornos somente na medida em que acontece.
Já passei por uma graduação em Jornalismo e um mestrado em Cinema. E posso dizer, sem dúvidas, que a experiência em Artes Cênicas tem sido a mais profunda, no sentido de nos forçar a sentir tudo na nossa própria experiência. Não é como ver um filme e pensar diversas relações. É claro que o cinema permite entrar com contato com coisas profundas, mas sempre podemos contar com a proteção do cerebral no processo. No teatro, não. Se você se protege, não faz determinada cena. Fica lá patetando, pensando e travando todo o resto. E é exatamente assim que eu tenho me sentido em muitas aulas. Acabei trancando as disciplinas que me eram mais cômodas, que me permitiam buscar algumas defesas, e fiquei apenas nas que me tiram do eixo: Corpo e Movimento e Interpretação Teatral.
Algumas aulas funcionam como verdadeiras sessões de terapia. Porque eu, desde sempre, tenho que lutar com minha necessidade de controle. Minha ansiedade generalizada vem muito daí. No novo curso, você chega à maioria das aulas sem saber qual é o exercício. E só descobre como seu corpo reage lá, na prática, experimentando. Acho que a noção de ensaio vem muito disso: experimentar. Tudo pode sair desse processo. Mas o caminho é denso, cheio de zonas de sombra. Você entra em contato com o pior e o melhor de você. É uma desconstrução.
Começo a me perguntar: que corpo era esse, automático, que eu trouxe até aqui? Será que é possível destravar todas as defesas nessa altura da vida? Sim, porque eu sou cheia de defesas. Meu maxilar, por exemplo, é travado. Sofro com dores horríveis que irradiam para a musculatura do pescoço e para a cabeça. O dentista diz que é bruxismo e apertamento dos dentes, o que cansa a musculatura. Mas essa é a ponta do iceberg. O que me faz apertar os dentes até essa dor é a minha ansiedade, minha necessidade de controle. Aí como faz num curso em que você tem que soltar todas as suas articulações? Num curso em que você tem que relaxar e confiar no outro? Confiar. Essa é outra palavra chave no teatro, pelo que tenho percebido. Atuar é oferendar-se. Teatro é oferenda.
Todos esses caminhos são novidade pra mim. Trabalho diariamente com jornalismo, que é perfeito para pessoas cerebrais se protegerem. Você pode ficar o tempo todo na persona do "estou seguro". Bom mesmo parece ser quem tem o domínio da situação. É quem faz a pergunta certeira. Se você não usa essa máscara, é difícil te levarem a sério. No teatro, enquanto você está se preparando, tem que se permitir esvaziar tudo o que você é para poder virar uma outra coisa. Esvaziar tudo quer dizer entrar em contato com os pontos em que você tem menos controle, em que você realmente começa do zero. É não ter o domínio de nada para ter o domínio de tudo.
Diante disso, posso dizer que estou em plena crise: descobrindo que não sei respirar, não sei andar, sou acelerada, não consigo perceber onde distribuo os pesos, fico racionalizando no meio do movimento e por aí vai. Mas persisto. De peito aberto tomando quantas flechadas vierem.
É difícil ver nossas fragilidades assim tão expostas. Mas o processo me faz pensar que uma outra consciência de mim é possível. Algo novo vai se construir. E vai um dia voltar a quebrar-se. Até o infinito da vida, feita de constantes reconstruções.
sábado, 25 de junho de 2011
Cavalleria Rusticana II (ou pequeno manual de etiqueta para espetáculos e afins)
18 dias no Japão
Foram 18 dias de sonho e muitas caminhadas pelo Japão. Começamos por Tokyo, onde ficamos por 4 dias. A ideia era entrarmos em contato com c...
-
- Mas calminha desse jeito? Não é preciso alarde para quem sabe, no íntimo, ter a força das tempestades e o profundeza das raízes das árvore...
-
Se você caiu aqui no meu blog por acaso, provavelmente estava pesquisando no Google sobre cirurgia de desvio de septo. Sim, eu ta...