quinta-feira, 27 de outubro de 2011
don de fluir
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Celebração da língua portuguesa em João Pessoa
Para uma apaixonada pela palavra, pela música do português como eu, estar aqui é um deleite. Ainda mais especial é estar aqui com um filme sobre um poeta.
Acabo de sair da exibição do Braxília, que infelizmente estava vazia. O horário também não favoreceu...o filme foi colocado numa sessão às 16h. Além disso, a projeção foi em dvd, o que perde muito em detalhes e texturas. Mas enfim. Valeu. Gostei um bocado do documentário "Número Zero", de Claudia Nunes, em que ela filmou meninos de rua em Goiânia há cerca de 20 anos e trouxe esse registro. Senti falta de saber como essas crianças estão hoje em dia. Mas isso não é o foco do filme. Penso que a diretora quis mostrar mais o processo delas diante da câmera, que é um elemento estranho na rotina delas. Tenho mais a falar do filme, e de A Dama do Peixoto, o outro doc. da sessão. Mas agora vou correr pra ver Transeunte, do Eryk Rocha. Por um desses acasos fortuitos, me sentei ao lado dele no avião e também do ator do filme, Fernando Bezerra. Ambos queridos e muito gente fina. Vou lá ver o filme pra poder comentar aqui. Hasta!
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
o teatro como salto no abismo
Há exatamente um mês, comecei uma nova graduação, agora em Artes Cênicas. As aulas têm sido incríveis, mas estão mobilizando tantos conteúdos em mim que achei pertinente escrever na esperança de que isso ajude a colocar as coisas em perspectiva. Quero mais compartilhar percepções, aqui, do que propriamente teorizar sobre teatro. Mas acaba que as duas coisas se cruzam.
Para uma pessoa cerebral e controladora como eu, as aulas de Cênicas têm sido um verdadeiro salto no abismo. Desconstrução total de mim, casa de espelhos de todas as minhas fraquezas e limitações, a própria coragem de pertencer ao desconhecido sentida no corpo, e não no papel. Entrar numa empreitada como essa é sem dúvidas um ato de coragem. O que me faz perceber que todo ator de verdade é um ser corajoso. Não é possível atuar sem se lançar a um processo indefinido, que vai ganhando contornos somente na medida em que acontece.
Já passei por uma graduação em Jornalismo e um mestrado em Cinema. E posso dizer, sem dúvidas, que a experiência em Artes Cênicas tem sido a mais profunda, no sentido de nos forçar a sentir tudo na nossa própria experiência. Não é como ver um filme e pensar diversas relações. É claro que o cinema permite entrar com contato com coisas profundas, mas sempre podemos contar com a proteção do cerebral no processo. No teatro, não. Se você se protege, não faz determinada cena. Fica lá patetando, pensando e travando todo o resto. E é exatamente assim que eu tenho me sentido em muitas aulas. Acabei trancando as disciplinas que me eram mais cômodas, que me permitiam buscar algumas defesas, e fiquei apenas nas que me tiram do eixo: Corpo e Movimento e Interpretação Teatral.
Algumas aulas funcionam como verdadeiras sessões de terapia. Porque eu, desde sempre, tenho que lutar com minha necessidade de controle. Minha ansiedade generalizada vem muito daí. No novo curso, você chega à maioria das aulas sem saber qual é o exercício. E só descobre como seu corpo reage lá, na prática, experimentando. Acho que a noção de ensaio vem muito disso: experimentar. Tudo pode sair desse processo. Mas o caminho é denso, cheio de zonas de sombra. Você entra em contato com o pior e o melhor de você. É uma desconstrução.
Começo a me perguntar: que corpo era esse, automático, que eu trouxe até aqui? Será que é possível destravar todas as defesas nessa altura da vida? Sim, porque eu sou cheia de defesas. Meu maxilar, por exemplo, é travado. Sofro com dores horríveis que irradiam para a musculatura do pescoço e para a cabeça. O dentista diz que é bruxismo e apertamento dos dentes, o que cansa a musculatura. Mas essa é a ponta do iceberg. O que me faz apertar os dentes até essa dor é a minha ansiedade, minha necessidade de controle. Aí como faz num curso em que você tem que soltar todas as suas articulações? Num curso em que você tem que relaxar e confiar no outro? Confiar. Essa é outra palavra chave no teatro, pelo que tenho percebido. Atuar é oferendar-se. Teatro é oferenda.
Todos esses caminhos são novidade pra mim. Trabalho diariamente com jornalismo, que é perfeito para pessoas cerebrais se protegerem. Você pode ficar o tempo todo na persona do "estou seguro". Bom mesmo parece ser quem tem o domínio da situação. É quem faz a pergunta certeira. Se você não usa essa máscara, é difícil te levarem a sério. No teatro, enquanto você está se preparando, tem que se permitir esvaziar tudo o que você é para poder virar uma outra coisa. Esvaziar tudo quer dizer entrar em contato com os pontos em que você tem menos controle, em que você realmente começa do zero. É não ter o domínio de nada para ter o domínio de tudo.
Diante disso, posso dizer que estou em plena crise: descobrindo que não sei respirar, não sei andar, sou acelerada, não consigo perceber onde distribuo os pesos, fico racionalizando no meio do movimento e por aí vai. Mas persisto. De peito aberto tomando quantas flechadas vierem.
É difícil ver nossas fragilidades assim tão expostas. Mas o processo me faz pensar que uma outra consciência de mim é possível. Algo novo vai se construir. E vai um dia voltar a quebrar-se. Até o infinito da vida, feita de constantes reconstruções.
sábado, 25 de junho de 2011
Cavalleria Rusticana II (ou pequeno manual de etiqueta para espetáculos e afins)
Cavalleria Rusticana I
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Braxília no Cine PE

Fiquei de escrever com mais regularidade durante o Cine PE, mas a correria do festival não deixou. Uma pena, porque muitos filmes que eu vi ali mereciam espaço no blog. Muita coisa bacana mesmo, especialmente na seleção dos curtas (que, na minha opinião, deu um banho na dos longas).
Acontece que veio a premiação e o Braxília levou três prêmios: melhor trilha sonora para o Dado Villa-Lobos, melhor montagem para o Marcius Barbieri e melhor curta 35mm pelo juri popular. Aí eu não consegui mais pensar em outra coisa, estou com esse post na garganta desde que cheguei, esperando para compartilhar aqui. É felicidade demais, minha gente! Levar juri popular numa terra bairrista feito Recife me fez repensar muitas coisas. E os prêmios técnicos para o Dado e Marcius foram incríveis, merecidíssimos - pelo talento, dedicação e generosidade que eles trouxeram para o projeto desta iniciante aqui...só tenho a agradecer e a comemorar. Gracias a la vida, que me ha dado tanto!
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Impressões sobre o CinePE #1
Neste exato momento, aproveito a solidão do quarto de hotel em Recife para ordenar algumas impressões sobre o CinePE, festival de que venho participando desde domingo. Preciso dizer que estou impressionada com a grandiosidade disto aqui. Mostrar seu filme para uma platéia de 3 mil pessoas é de uma emoção sem tamanho. O público realmente participa, você percebe que as pessoas que moram na cidade se mobilizam para ir ver o festival, e isso é muito bacana mesmo.
O Braxília passou na noite de domingo, numa sessão linda. Sempre me bate um receio de o filme não funcionar fora de Brasília, não tem jeito. Aí me lembro de Niki citando Tostoi, cante a tua aldeia e serás universal, e meu nervosismo de certa forma se dissipa. O poder da poesia é uma coisa impressionante, capaz de fazer que uma guria de 20 e poucos anos em 2004 visse seu conflito com a cidade ganhar expressão nos versos de um poeta que começou a escrever nos anos 70; capaz de fazer que pessoas em Recife, por exemplo, se emocionem com o olhar desse mesmo poeta diante de um cenário estranho, alheio até. Acho que todas essas pontas não se conectariam se não fosse a poesia. Estou em estado de graça, assim como fiquei quando o filme foi exibido no Festival de Brasília, na Mostra Tiradentes e no É Tudo Verdade. Cada festival fica sendo um infinito. Encontros.
Guardei muitas impressões também sobre os outros filmes que tive a oportunidade de ver aqui. Faço milhares de anotações sobre as sessões, mas fico sempre confusa sobre como organizar todo o meu turbilhão de comentários, imagens, sensações. Na verdade, acaba que a gente acaba sendo meio atropelado pela correria dos festivais e não consegue parar muito para escrever, rs. Precisa rolar uma disciplina, mas vou tentando, ao longo dos dias.
Agora mesmo eu ia começar falando dos filmes do primeiro dia, mas vou falar dos de hoje, que estão mais frescos. O curta que mais me tocou hoje foi Traz outro amigo também, do gaúcho Frederico Cabral. Achei sensível, lúdico, divertido, bem realizado...e tocou num tema tão bonito! Não me lembro dos meus amigos imaginários da infância, uma pena. Mas me lembro que minha prima era amiga da Dona Ventania. Voltando ao filme: contratar detetives particulares para irem atrás dos nossos amigos imaginários desaparecidos é uma bela metáfora para a reconexão com o lúdico e, por que não, com a poesia. Um reencontro sobretudo com a imaginação, para que ela nunca deixe de nos acompanhar. Graças a Deus aprendi com minha mãe a não me perder da minha criança. Deve ser por isso que fazemos tanto sucesso com a meninada da rua. Eu posso ver os amigos imaginários deles, apesar de não me lembrar do meu, e assim vou colecionando novos e fieis companheiros.
Gostei também do Ovos de dinossauro na sala de estar, do Rafael Urban, que tive a oportunidade de conhecer em Tiradentes, quando ele apresentou o curta Bolpebra. Rafael encontrou uma personagem incrível, tão bela e esfíngica que me remeteu à Clarice Lispector. Aliás, não seria a cara de Clarice uma mulher diante de ovos de dinossauros na sala de estar – ela, a mobília austera e os ovos fossilizados? Pois eu fiquei achando que estava na verdade dentro de um conto dela, com vestígios de uma história de amor se misturando a vestígios de tempo.
Eu, para crítica, acho que não presto. Por isso falo em impressões. Não vou ter o compromisso aqui de contar as histórias do filme, então as coisas que digo podem soar meio soltas, ok? Amanhã continuo!
sábado, 23 de abril de 2011
a felicidade é o equilíbrio no fio da navalha
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Do coração aberto pra 2011
O mundo anda tão complicado...
Cada vez entendo menos tudo, e quero a leveza em vez da velocidade. Parece que sou atropelada por tudo o que acontece e que supostamente é importante e merece atenção, e amanhã já é outro dia.Ando questionando tudo, pareço uma edição ambulante da Vida Simples. Não é assustador pensar que acumulamos tanta coisa, muito mais do que precisamos?
Vejam o meu caso: 26 anos e tantos objetos que enchem uma quitinete inteira. Sem falar na memória, que me transborda. Lembrar é minha meditação. Minha conjugação: eu lembro. Imaginar a vida sem tudo o que construí e impregnei de significado leva a um vazio assustador. Mas precisei aprender a deixar coisas pelo caminho. A não ter medo desse vazio. Continuamos sendo tudo o que somos por meio das experiências associadas às coisas, mesmo que as coisas desapareçam. Não é isso? O que é essencial permanece, e como é um alívio entender isso, do fundo da alma!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Desoperadoras de Telefonia #2
No faxinão de fim de ano, olhem só o que encontrei numa cadernetinha...as memórias de uma vez que passei duas horas no telefone com a TIM e não consegui resolver meu problema. Isso soa familiar a alguém? Ai ai!
15 de junho – Recebo uma carta avisando que meu telefone será cortado, dois dias depois dele já ter sido! Ligo para a TIM. Começo às 21h.
Protocolo # 6 – caiu a ligação
Protocolo # 7 – caiu a ligação, depois de 10 minutos esperando;
Protocolo # 8 – Consultora: “boa noite, com quem eu falo?”; Eu: “Danyella”; Consultora: “senhora, boa noite, com quem eu falo?”; Grito: “Danyééélllaaaaaaaaa!”; Consultora: “por falta de comunicação, a ligação será encerrada”.
Vontade de morrer. Troco de telefone e tento mais um pouco.
Protocolo #9 - A consultora Kathlen me pergunta o que está acontecendo, sendo que já expliquei diversas vezes. Respiro fundo e conto. Ela consulta, verifica, digita, me pede pra aguardar.
Enquanto isso, inspirada por sua voz firme e simpática, me pergunto: “Como será a Kathlen? Que rosto terá? Será negra, branca, alta, baixa? Loira, tingida? Gosta de fazer o que nas horas livres? Tem namorado? Namorada?”. Sei que sua voz me causou ternura. Fiquei terna. Kathlen volta quase meia hora depois e constata que realmente há um erro. Diz que vai me encaminhar para o setor responsável. Eu imploro para ela não fazer isso, explico que dá última vez a ligação caiu. Ela me diz, aumentando minha ternura por ela: “Senhora, eu vou fazer o possível para a ligação não cair. Se não der, vou tentar te ajudar, tá?”.
Diante de uma resposta tão humana, eu disse: “tá”.
22h10 – Kathlen me transfere para a Cristiane. Explico que meu celular está cortado, que dizem que eu não paguei a conta, mas que me foi dito pela TIM que eu não precisaria pagar. Digo que quero entender que cobrança é essa. Ela me diz que pode ser um saldo devedor da Brasil Telecom, minha antiga operadora. Eu digo que não pode ser. Ela pede um momento pra verificar (o que diabos eles tanto verificam? Os outros já não tinham verificado??)
Percebo que estou sem ar, completamente tensa. Como se, a qualquer movimento meu, corresse o risco da linha cair. Então fico dura, imóvel, mal respirando.
22h14 – Cristiane me pede mais um momento;
22h19 – Cristiane diz: “nesse momento estou contestando a fatura para retirar o valor para a senhora”.
22h24 – Cristiane pede mais um momento;
22h25 – Mais um momento;
22h26 - Cristiane volta e pergunta: “A senhora já efetuou o pagamento da conta?”. Respondo: “Não!!!!!!!! Até porque me foi dito que eu não precisaria pagar!! É isso que estou tentando explicando há dias para vocês!”
22h27 – Cristiane diz: “entendi...”
22h29 – Cristiane pede mais um momento.
Sozinha no quarto há um bom tempo, já com as pernas dormentes, começo a anotar tudo na cadernetinha. Alguém me traz um uisquinho, por favor? Começo a me alongar enquanto equilibro o telefone no ouvido com o ombro.
22h30 – Já alongada, pego um livro de reflexologia podal e tento alguns exercícios;
22h36 - Meu estômago começa a roncar. Toco bateria imaginária com o lápis e a caneta.
22h37 - Seguindo as orientações do livro, observo de que lado meu chinelo é mais gasto. Vejo que é o lado de fora, principalmente no pé direito;
22h38 – Cristiane volta e me pede só mais um momento. “Já estou finalizando, tá bom?”. Escrevo, evocando Lady Kate: “bom, bom não tá, mas tá bom...”
22:39 – O quarto vazio começa a me dar pânico. Só eu e o telefone. Já não penso em mais nada. Me dá câimbra, tudo me entendia.
22h40 – Acho uma fita K7 onde se lê “Timbalada Dany 93” em canetinha prateada. Escrevo novamente e comparo minha letra. Abandonei os traços arredondados, mas persiste uma certa fúria.
22h46 – Algo cai no apartamento de cima e faz barulho. Não é estranho pensar que o teto é também o chão? Tenho um momento existencial.
22h49 – Escrevo como seria meu nome sem Y, sem LL, texto as variações (uma hora, quatorze minutos e dezessete segundos no telefone);
22h50 - Minha coluna dói. Deve ser porque já faz mais de uma hora que fiz alongamento. Tento de novo me estivar, mas o pé fica dormente.
22h52 – Me dou conta de que o último contato foi às 22h38, há exatos 14 minutos. Algo está errado. Minhas mãos e pés ficam gelados, minha boca fica dormente. Cristiane, cadê você? Preciso ouvir sua voz!!
22h55 – Como seria se eu deixasse tudo isso escrito e pulasse pela janela? Pareceria uma piada? É, não era pra ser.
22h57 – Com os olhos marejados, desisto de tentar manter o autocontrole e surto: “Tem alguém me ouvindo? Cristiane? Alô? Pelo amor de Deus, alguém fala comigo? Tomara que tudo isso esteja sendo gravado, isso é criminoso, eu estou há duas horas no telefone, estou passando mal, por favor, alguém responde!!”
Silêncio. Me humilhei e implorei por uma resposta, nem que fosse um “só mais um momento”, mas a resposta não veio.
23h – A consultora morreu? Eu morri? Gritar não vale, morrer não adianta;
23h07 – A ligação cai.
18 dias no Japão
Foram 18 dias de sonho e muitas caminhadas pelo Japão. Começamos por Tokyo, onde ficamos por 4 dias. A ideia era entrarmos em contato com c...
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- Mas calminha desse jeito? Não é preciso alarde para quem sabe, no íntimo, ter a força das tempestades e o profundeza das raízes das árvore...
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Se você caiu aqui no meu blog por acaso, provavelmente estava pesquisando no Google sobre cirurgia de desvio de septo. Sim, eu ta...