quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

feliz 2010!

Direto de Florianópolis, meus desejos de um 2010 maravilhoso para todos os leitores e amigos do Poema Lunar. Que muitas novas palavras passem por aqui nesse novo ano!

Agora vou ali pegar um ônibus para pular as sete ondas na Praia da Barra da Lagoa, onde estava hospedada antes, porque essa Praia dos Ingleses não tá com nada, não. Gente demais, gente maltratando a natureza, jogando uma pancada de lixo na praia, esgoto dos hotéis chiques jogado no rio que deságua no mar, consumismo all the time, lojinhas, lojinhas, passeios-farofa pra turistas, gente sem educação...enfim, tudo o que eu não quero para 2010! 


Vou pular ondinhas pela primeira vez, que é pra trazer tudo de bom para o novo ano. Viva o mar! Se eu abandonar a vida de jornalista na capital e resolver morar na beira da praia, não se espantem. Essa energia faz bem demais! Se a gente bem soubesse, não se desconectaria dela nunca!

Salve 2010! Que o ano novo seja de reinvenções. Saravá!


Ano que vem eu trago boas novas

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

olha a sincronicidade aí, gente!


Antes eu tinha medo do twitter, porque o Ricardo Eletro começou a me seguir depois d´eu ter desabafado sobre um problema na entrega da minha geladeira.

Agora também tenho medo do Facebook. A-c-a-b-e-i de publicar o texto anterior e resolvi passar o tempo lá um pouquinho, antes de mergulhar na dissertação. Aí vi um desses testes que uma amiga havia feito, desses que o resultado aparece pra gente. O teste era: "o que você foi em vidas passadas?". Bom, ela havia sido uma filósofa grega, daí eu me empolguei com a veracidade do negócio e fui fazer também. Descobri que eu fui uma ostra. Medo. Mas a sincronicidade não parou aí. Sintam só a descrição de minha vida passada enquanto ostra:


uma ostra
Com sua restrição no campo do pensamento e também corporal, ter nascido humano é um grande passo. O sentimento de felicidade sem um motivo claro, a simples alegria de viver advém desta liberdade adquirida. Por outro lado, a forte influência dos outros sobre suas decisões, a incertitude em relação aos relacionamentos e a confusão sobre o rumo certo a se tomar são ainda resquícios da vida aquática e influência das marés. Ser humano é uma nova aventura. Experimente e descubra; sua jornada está apenas começando!


Psicologizando um pouco...

Aconteceu uma coisa engraçada comigo na volta de Porto Alegre. Bom, não falei aqui o motivo da minha passagem por lá: fui apresentar um artigo no congresso "Comunicação e Imaginário", na PUCRS, que contou com a presença mais do que especial de Michel Maffesoli. O fato é que eu tive que falar em público e quem me conhece sabe que eu tenho uma série de ziquiziras emocionais quando sou, digamos, o centro das atenções. Na semana anterior ao congresso, eu havia dado uma aula na graduação, substituindo um colega do mestrado. Okêi, passei semanas sofrendo por antecedência. Aí veio o congresso. E o coração disparou de novo, a pressão caiu, deu amnésia, sensação de desmaio...o pacote completo again, mas eu bravamente enfrentei o leão e apresentei e sobrevivi.

Além dessa situação, eu me senti um tanto incitada a falar durante toda a viagem. Explico: eu estava com uma grande amiga do mestrado, a Beta, que gosta muito do calor do debate, da troca de idéias olho no olho, da imagem de "lançar-se", "projetar-se no mundo". Eu quero ser a Beta quando eu crescer. E outras pessoas que já encontrei na vida, que carregam essa mesma soltura.

Mas eu ainda estou aqui, juntando minhas imperfeições. Por enquanto, ainda faço como a Clarice Lispector tão bem desenhou de si: eu costuro pra dentro. Isso me traz uma série de problemas, mas eu só entendo o mundo como entendo por conta disso, então acho que também deve ter sua beleza. O recolhimento deve ter sua beleza. Eu só escrevo porque observo. E observo no meu silêncio, no meu andar às vezes apressado que não é sinônimo de falta de afago do olhar, no tempo interior que é diferente do tempo dos passos, até nos meus braços cruzados que protegem o peito dos abismos.

Eu sou irremediavelmente atraída pelos abismos - vejam, meu mestrado é até sobre isso, na essência. Mas ainda não é simples para mim chegar até lá, tirar o pé que ainda se firma na margem. Por ainda ser um mistério, ainda me mobiliza tanto. É aí que está a beleza da jornada, creio eu. Se tudo estivesse pronto, dado, não haveria o caminho. Eu estou caminhando, conduzida em uma mão pelo desejo de não me fechar tanto e, na outra, pela solidão absolutamente necessária.

Aonde eu queria chegar com tudo isso? É que, de tanto falar e não encontrar espaço para o meu silêncio, eu cheguei a Brasília sem voz. Rouca. Um fiapo de voz tentando se reconfigurar.

A explicação racional, se buscarmos, certamente será o ar condicionado do avião, que me fez ter que tomar um Desalex básico ao chegar em casa. Não tem jeito, sempre acham que sou uma potencial hospedeira do H1N1 nessas crises de rinite. Pode ser o avião. Mas prefiro sempre a dangerosíssima viagem de si a si mesmo, agora no contato com o outro.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Primeiras impressões sobre Porto Alegre

Cheguei ontem a Porto Alegre.  Do aeroporto, peguei um taxi e vim direto para o hotel, aqui na cidade baixa. Como estava morrendo de fome, resolvi caminhas nas redondezas em busca de um lugar para comer às 15h. Bom, a primeira tentativa foi um tal de Bar do Beto, aqui na esquina perto do hotel. Simpática, pedi licença ao garçom e perguntei se havia opções de lanches também ou apenas pratões que servem várias pessoas. Só d' eu falar "licença" e segurar seu ombro, o sujeito já me olhou com a cara mais feia do mundo. Disse toscamente que tinha lanches também. Procurei uma mesa e, como ninguém me atendeu em 10 minutos, resolvi ir embora. Fui caminhando até o Parque Farroupilha, onde começou verdadeiramente minha saga. Vou contá-la em pequenas pílulas:

§ Logo na entrada do parque, achei um café simpático no lago dos pedalinhos. Resolvi almoçar por ali, no deck. Pedi um waffle de palmito gratinado achando a coisa mais diferente do mundo. Na verdade, é como se fosse uma pizza, com a massa de waffle, com mais queijo do que palmito. Overdose de lactose na veia logo na chegada, continuei a caminhada pelo parque, achando que seria amena.

§ Perguntei a um casal pra que lado ficava a "feirinha". Eles me olharam com cara de interrogação, viraram um para o outro: "feirinha? tu sabes onde fica isso? ela deve estar querendo falar do bric, né?". Bom, eu disse que sim, que devia ser, lembrei de ter ouvido minha amiga gaúcha, a beta, pronunciar essa palavra. E lá fui caminhando rumo ao bric do parque.

§ A gente se acostuma a achar que, em Porto Alegre, sempre faz frio. Mas o calor aqui está pior que o de Brasília! Fui ao parque com a roupa que usei na viagem: calça jeans, tênis e blusa preta de manga curta. Okêi. Até achar o tal do bric, acho que andei umas 2 horas com sol na moleira (tá, eu me perdi algumas vezes, vim e voltei, isso aumentou o percurso!). Resultado: lá pelas tantas eu já estava com sensação de desmaio, doida por uma água e por uma sombra. 

§ Na metade do percurso, vi uns adolescentes roqueiros (muitos!) deitados na grama, tomando vinho e tocando violão. Pensei: isso deve ser o bric, sei lá, o bric deve ser o bafão do parque!! Aí me empolguei e fui subindo na direção dos roqueiros. Essa parte do parque é como se fosse uma mistura de Pátio Brasil, Esplanada dos Ministérios à noite e Avenida Paulista. Sério, é muito surreal: no meio do parque, do nada, surge um reduto gótico/grunge/indie/sei lá. Muitas meninas de cabelo azul (será influência daquela moça da MTV, a Mari Moon?); muitos ray ban wayfarer daqueles de armação colorida, bem anos 80; muitas franjas e cabelos repicados com mullets (proximidade com a Argentina?); muita gente de sobretudo num calor de matar. E nenhum hippie!! Eu não vi nenhum hippie no parque! Não é surreal?

§ Bom, depois de andar uns 15 minutos na passarela dos roqueiros, resolvi perguntar para a moça da água de coco se aquele "movimento" era o bric. Ela riu e me disse que não, que eu devia andar na direção oposta (a mesma de onde eu vim) até ver umas barraquinhas. Okêi, obstinação, vamos lá. Andei até as tais barraquinhas e, pra minha surpresa, trata-se de uma avenida inteira lotaaaada de barracas. Nada que você aparentemente possa ver em pouco tempo. A essa altura, eu já devia estar desidratando. Maldisse a hora em que pedi o tal waffle de palmito carregado de queijo e  sentei num banquinho. Respirei fundo e resolvi voltar. Sem ver mais de 10 minutos de bric e sem comprar nada.

§ Aliás, voltei pensando: por que diabos os gaúchos chamam feirinha de bric? Acho uma palavra bonitinha, lúdica, me lembra bric-a-brac, me lembra flicts, sei lá. Mas qual o sentido? Será que vem de bricolage, porque as banquinhas vendem as coisas mais diversas desse mundo? Eu, heim. Ainda estou sendo iniciada aos mistérios de Porto Alegre. Daqui a pouco as coisas começam a fazer sentido.

§ Voltei para o hotel com os braços queimados de sol, ardendo, coçando, tudo. Isso é para eu aprender a passar protetor solar não só no rosto. Tomei um banho gelado, me bateu uma moleza louca e eu resolvi deitar "um pouquinho". Isso por volta das 17h30.  Acordei às 23h30, com o estômago roncando e meio grogue. Comi uma barrinha de Alpino que tinha na bolsa, vi um pouco de TV, li um pouco e chapei outra vez, lá pra 1h. Pra minha surpresa, acordei somente às 8h! Acho que nunca dormi tanto em toda a minha vida. Hibernar é pouco pra esse fenômeno. Mistérios de POA...

§ Hoje é feriado, Dia de Finados, e a cidade baixa está deserta. Daqui a pouco vou almoçar com Matias e  Nunu, que também estão por aqui. Que venham novos segredos e que a cidade me surpreenda, amém.



sábado, 24 de outubro de 2009

reinvenção do videoclipe II

Fire on Babylon, da Sinead O' Connor, foi dirigido pelo Michel Gondry, aquele que fez também clipes memoráveis da Björk, como Army of me, Human Behaviour, Isobel e Hyperballad. Eu sou suspeita, porque adoro a Björk e adoro o Gondry. O encontro dos dois não poderia ser mais interessante! Bom, depois coloco aqui algum clipe da Björk. Agora o foco é pra Sinead O'Connor no ambiente onírico e surreal construído por Gondry. Mistura de uma atmosfera Amélie Poulain com uma canção nada fofinha, consegue ser doce e porrada ao mesmo tempo, assim como a voz de Sinead.

Ah, sim: No cinema, Gondry também dirigiu Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e The Science of Sleep, maravilhosos!


reinvenção do videoclipe

No livro A televisão levada a sério, Arlindo Machado aborda diversos temas interessantes pra pensarmos as possibilidades de linguagem da TV. Uma delas é o videoclip. Ele cita alguns clipes que romperam com aquela idéia de que o video deveria apenas promover a música, quase uma ilustração, e alçaram o videoclipe a outras possibilidades muito mais inventivas.

Ao longo da leitura, vou compartilhando com vocês alguns dos exemplos citados por Machado como cliples inventivos. O primeiro é Blue Monday, de 1988, que o videoartista William Wegman fez para o New Order:




quinta-feira, 8 de outubro de 2009

dos planos de saúde que te deixam na mão

Estou aqui digitando com uma mão só, numa crise danada de tendinite, só porque preciso manifestar minha indignação com meu plano de saúde. ô saudades dos tempos em que eu era dependente do plano da minha mãe...era feliz e não sabia! Desde que passei no concurso do ministério e passei a pagar meu próprio plano (com um pequeno reembolso), minha vida virou um caos. Vou logo dar nome aos bois: Golden Cross Essencial, pelo visto a categoria mais ralé que tem. Sim, porque eu tenho 25 anos e quase não adoeço, então não vi motivos para pagar caríssimo por uma mega ultra cobertura. Tirando o reembolso, devo pagar uns R$ 100 por mês por essa tranqueira que teoricamente dá direito a atendimento e quarto em caso de internação. Acontece que eu fico na mão sempre que preciso, e olha que eu só uso pra coisas básicas tipo tendinite-emergência de hospital-consultas de rotina.

Hoje passei por uma situação cômica, ou trágica, dependendo do humor. O quase-único-ortopedista-que-aceitava-o-plano pediu uma ecografia dos punhos e antebraços. Cheguei ao local do exame e, depois de uma hora de lenga-lenga, a moça veio com o recado: "seu convênio só autoriza uma eco de cada lado. Escolhe aí qual você vai querer fazer". Ahm? Como assim, "escolhe aí"? Liguei na Golden e perguntei o motivo de negarem o pedido médico.  Eles argumentaram que não havia necessidade e que eu teria mesmo que optar. Okêi, então pra que diabos o médico que me examinou pediu uma ecografia de cada braço, pacote completo?

Comecei a rir e perguntei se eu devia fazer um "mamãe mandou eu escolher esse daqui!"...

Enfim, escolhi o punho esquerdo e o antebraço direito, guiada pela dor mesmo e na esperança de convencer a médica a "ecografar" tudo na camaradagem. Ainda bem que eu sou boa de lábia e deu tudo certo. A doutora achou surreal a situação de me mandaram escolher, mas disse que isso está se tornando comum. Uma senhora que havia sido atendida por ela pouco antes também teve que optar entre as duas ecografias solicitadas pelo médico. é mole? Eles agora estão nessa de não autorizar exames, dizendo que não é necessário. Um bando de burocratas querendo ser médicos. Pura ganância, desrespeito, nem sei o que dizer. Deve haver mil relações de interesse envolvidas, esquemas que eu desconheço mesmo. Mas o fato é que eu sempre sou prejudicada nas raras vezes em que preciso, sendo que pago por essa porcaria todo mês - mesmo sem usar. Como diz um poema do Nicolas: gritar não vale, morrer não adianta. 

Sessão do descarrego concluída, agora vou desconectar porque meu único braço que trabalha já pediu trégua por hoje. Boa noite!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

análise da imagem



Li hoje uma matéria no jornal online Extra, em que a Fernanda Torres admite ter usado cocaína por muitos anos, e confesso que ainda não digeri muito bem. O que me chamou a atenção não foi o fato dela abrir a lombra pra geral, mas sim a foto bizarra que ilustra a matéria. Alguém por favor me explica o que é a atriz rindo e fazendo pose enquanto um morador de rua está caído logo atrás dela? Isso foi proposital ou o fotógrafo não olhou ao redor? Qual a construção de sentido por trás dessa imagem? Não acredito na hipótese de o fotógrafo não ter reparado, porque enquadrar é escolher significados, informações, recortar a realidade. Que recorte, esse? Se a idéia era passar uma naturalidade, do tipo "as coisas estão no mundo", achei de péssimo gosto.
Se o link não funcionar, aqui vai a matéria:


Fernanda Torres revela que usou drogas durante anos

Fernanda Torres deu uma entrevista reveladora à revista “IstoÉ” desta semana ao falar abertamente sobre drogas. A atriz disse que usou substâncias proibidas durante anos, em especial a cocaína, que considera “o pior demônio”. “Comecei com a maconha e fui até o pó”. Fernanda escreveu a peça “Deus é química” em que trata do assunto. Hoje, felizmente, ela diz não usar mais drogas. “Parei. Faz um bom tempo. Acho que o que me bateu mais foi a saúde. Quando se é novo, queremos experimentar morrer. Quando olho para trás, penso: ‘Nossa, eu corri tantos riscos de morte na minha juventude’”. Fernanda diz que nunca subiu uma favela para comprar cocaína, mas seus pais sabiam que ela era uma usuária. “Meus pais sabiam de tudo: eles não deixavam usar drogas em casa. Sabiam que eu usava. Mas não se falava sobre isso, não se tocava no assunto. Eles eram uma espécie de freio mental.”

urbana legio omnia vincit!

Ontem foi um dia de pura nostalgia para mim, com a aparição "surpresa" da Legião Urbana no Porão do Rock. Surpresa entre aspas porque todo mundo já sabia que eles apareceriam. Há semanas corriam os boatos de que o Toni Plantão cantaria no lugar do Renato Russo, mas foi melhor ainda! Pensem num show com Dado, Bonfá e vários vocalistas "amigos" da Legião se revezando...ai ai! :) Bom demais!

O show começou meio sem alarde, com umas entrevistas de Dado, Bonfá e RR sendo exibidas no telão, assim como quem não quer nada, sem ninguém anunciar nada. De repente, depois de Renato Russo mandar um "A verdadeira Legião Urbana são vocês", começa Tempo Perdido. Eu, que já fui esperando pelo show, fiquei meio sem acreditar que era de verdade. Completamente surreal ver todo mundo cantando junto, de coração, músicas que ficaram tão lá na minha (na nossa) adolescência. Inevitável ficar com um nó na garganta, choro contido...é realmente emocionante ver como as músicas da Legião ainda tocam!

Eu, baixinha, não consegui enxergar lá muito do que se passava no palco. O ápice foi quando o Igor me colocou nos ombros, bem na hora de Eu Sei e Pais e Filhos. Bom demais ver aquela multidão toda cantando junto. Nostálgico, enérgico...pulei que nem uma macaca, fiz as dancinhas punks dos tempos de carnarock com o Lan e o Reginaldo, parecíamos três adolescentes doidões.

Em um segundo, todas as lembranças chegaram: passar o recreio cantando Legião no fundo da sala de aula, rodinhas de violão, escrever "força sempre" de liquid paper na mochila, achar que o Renato Russo tinha traduzido o que minha incomunicabilidade não me deixava traduzir, camiseta da Legião, ICQ até tarde falando de música, ir até Caldas Novas para ver os Paralamas tocarem (super groupie!), deitar no pilotis do prédio onde o Renato Russo morou e sentir que estava me conectando com o cosmos, fazer o percurso das locações das músicas, pesquisar os códigos cifrados, as referências por trás das letras...tanta coisa, tantas memórias vindo ao mesmo tempo que foi impossível não ficar emocionada.

Eu andava me sentido sem energia nos últimos tempos, mas esse show me reconectou com coisas que me deixam deveras feliz. Para não esquecer. Quando a vida fizer cara feia pra você, dance um punk rock com ela, faça suas próprias colagens de memórias boas. Garanto que melhora!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

presente é quando o acaso empurra um livro vermelho da estante


Há muito tempo quero deixar aqui um elogio ao livro Mania de Explicação, da Adriana Falcão. Comprei no começo do ano, quando estava passeando pela estante de livros infantis na Livraria Cultura em busca de um presente para a minha afilhada. Comprei um livro de princesa para ela e a poesia da Adriana Falcão para mim.

Eu já gostava muito da Adriana desde que li o Luna Clara e Apolo Onze numa sentada só. O livro é uma delícia, lindo, delicado, cheio de histórias e detalhes que só ela consegue pensar. Com o Mania de Explicação não é diferente: ela vai definindo os sentimentos de maneira lúdica e poética, pela voz de uma menina que tinha mania de explicar todas as coisas - "essa menina pensa que é filósofa, as pessoas diziam".

Aí, pelos olhos da menina que buscava uma explicação para cada coisa, ela vai explicando:

- Dedicatória é quando todo o amor do mundo resolve se exibir numa só frase;
- Irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio do seu peito;
- Solidão é uma ilha com saudade de barco (essa, a minha favorita!);
- Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue;
- Pouco é menos da metade. Muito é quando os dedos da mão não são suficientes;
- Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro da sua cabeça;
- Angústia é um nó muito apertado bem no meio do seu sossego;
- Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair do seu pensamento;
- Sucesso é quando você faz o que same fazer só que todo mundo percebe;
- Antes é uma lagarta que ainda não virou borboleta
- Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
- Alegria é um bloco de carnaval que não liga se não é fevereiro (também adoro!)

- Amor é...bom, aí vocês vão ter que ler o livro para ver o que a menina que gostava de ficar pensando pensamentos concluiu sobre o amor!

Leitura-nuvem, cócegas, um carinho. Ler a Adriana Falcão é sempre uma delícia! Ah, sem falar nos episódios que ela escreve para a Grande Família. Morro de rir com a Nenê, alter-ego assumido da Adriana, super mãezona, cheia de perfeccionismos, ansiedades, coração. Um dia quero ser que nem a Adriana Falcão: espalhar palavras por aí, seja no teatro, tv, cinema ou estantes de livros infantis...

Ah, sim: esqueci de dizer que as ilustrações do livro, da Mariana Massarani, também são lindas!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

nada serve de chão


Em tempos de desconfiguração, essa música vem bem a calhar. Daniela, do Pedro Guerra. Conheci na época em que assisti ao Caótica Ana, do Julio Medem. Já postei aqui uma versão de Tiempo y Silencio, que ele canta com a Cesaria Evora e entrou na trilha sonora do filme. Daniela não está no filme, mas bem que poderia estar: Ana também estava llena de puertas, exercitando a coragem de abrir cada uma delas e se lançar na jornada rumo a si mesma. Sua caverna na Espanha ensolarada tinha portas desenhadas nas paredes. Nada mais representativo de sua alma. E da minha:

Daniela

Daniela por dentro está llena de puertas
Unas cerradas, otras abiertas
Daniela por dentro está llena de puertas
A veces sales, a veces entras

Daniela es del viento y a veces se entrega
Y pierde cosas pero otras quedan

Daniela es un árbol un libro una abeja
Volando entre tantas en una colmena

A veces es difícil ser
Y lo que hay
No siempre es lo que es
Y lo que es
No es siempre lo que ves

Daniela respira y a veces se cuelga
A veces no sabes si es ella o no es ella
Daniela no entiende de todo y espera
Que alguien le calme sus noches en vela

18 dias no Japão

Foram 18 dias de sonho e muitas caminhadas pelo Japão. Começamos por Tokyo, onde ficamos por 4 dias. A ideia era entrarmos em contato com c...